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4 de Junho de 2020

"Ser ou não ser, eis a questão"!

Alegria no palco do horror.

Edson Nerys, Estudante de Direito
Publicado por Edson Nerys
há 2 anos


Indubitavelmente, à primeira vista já notamos que estamos diante de um título inquietante, diferente e muito provocador. Entretanto, se for analisado com a devida cautela que se espera daqueles que irão se debruçar sobre qualquer texto dos mais diversos gêneros literário, notará que a pequena pedra pirita apesar de ser encontrada embaixo da terra, ser dourada e parecer ouro, todavia não é; como diz a máxima: nem tudo que reluz é ouro.

O ser humano tem sido objeto de estudo há muito tempo, desde Charles Darwin à Zygmund Bauman, as mais diversas mentes pensantes tentaram entender e conceituar esse ser tão distinto e emblemático.

Há quem diga que o homem é um ser maestral, único, e que as suas formas e semelhanças vêm de um ser sobrenatural e divino, a saber: Deus. Vejamos o que disse Moises, líder dos Judeus:

“E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (GÊNESIS – 1:26)

Houve também quem na tentativa de trazer o homem para mais perto da sua essência, disse que o homem é um animal. Observamos:

“Pois bem, não somos nada! Somos este caos que se perde nas bordas de si mesmo, um animal na jaula...” (TRINDADE, 2017)
“O homem é um animal político” (ARISTOTELES, 384 a.C)

Pelo que pudemos notar, essa empreitada de tentar elucidar ou buscar uma explicação para a raça humana é tarefa para muitos anos. Mas enfim, toda essa exposição foi para lhe levar a uma reflexão e chegar ao que realmente esse texto tem a pretensão tratar, então vamos lá.

Em 1692, o pequeno povoado de Salem localizado em Massachusettes, nos EUA, ganha evidência nacional pelos julgamentos que ali estavam sendo realizados pela prática de bruxarias. Neste cenário, toda acusada que era supostamente flagrada nessa prática era conduzida ao tribunal de Salem e ali condenada.

As penas para suas condutas criminosas eram em sua maioria o enforcamento ou apedrejamento em praças públicas sob as verves, risos e palavras de ordem dos seus algozes para servir de lição para as demais mulheres daquele vilarejo.

Ora, casos como esses fica difícil de acreditar porque parece mais um roteiro de filme de Hollywood do que de acontecimentos verídicos. Afinal, que ser humano, que tem a imagem e semelhança de um ser divino seria capaz de fazer uma atrocidade dessas com mulheres indefesas, seria o homem animal de Trindade e Aristóteles?

Pois bem meus amigos, embora o caso de Salem pareça um roteiro de filme Hollywoodiano, eu estou bem inclinado a acreditar na veracidade dos fatos; dado que o fantasma de Salem volta a assombrar outra vez, porém não nos EUA, e sim, no pequeno povoado no interior da Bahia, Brasil.

A suspeita do crime dessa não é da prática de bruxaria, mas da ação de um latrocínio (roubo seguido de morte). Aqui não quero discutir ou entrar no mérito se o suspeito praticou ou não a conduta, já que no caso de Salem também não analisamos a conduta das mulheres e sim, o prazer e alegria dos homens daquela pequena cidade em incendiar um corpo humano em praça pública na frente de outras mulheres e crianças que comungavam das mesmas alegrias por acreditarem que a justiça estava sendo feita.

Em uma cidadezinha do interior da Bahia, o episódio não foi muito diferente. Um jovem, suspeito de ter roubado um senhor de idade e o agredido violentamente até o levar a morte, foi encontrado pela população daquela cidade que automaticamente o conduziu para o tribunal. Porém, para a surpresa e desprazer daquele moço, ele não estava sendo conduzido para um tribunal do júri para ser julgado pelas práticas dos crimes que ele supostamente teria cometido outrora, mas para o tribunal da consciência de uma população alvoraçada e ansiosa por sangue.

A sentença saiu, e sem direito a defesa esse jovem tem o seu corpo mutilado a golpes de facas e facões, uma corda é amarrada ao seu pescoço e o seu corpo agora é puxado pela rua da cidade com uma população formada por homens, mulheres e crianças todos entusiasmados com os seus celulares nas mãos filmando aquele corpo todo retalhado pelos golpes nele deferido, com risos nos rostos e a sensação de que a justiça foi feita.

Será que essa seria a hora de lembrarmos da canção de Cazuza quando cantava “que país é esse... que país é esse”, ou olharmos no retrovisor da humanidade e notarmos que nada mudou?

É meus amigos, certo estava Nietsche ao dizer que vivemos um “eterno retorno do mesmo”.

Talvez não seja para se espantar com casos assim depois de ter lido no livro sagrado (a bíblia), que “nos últimos dias o amor muitos esfriaram” ou depois de ter constato no mesmo livro que isso seria o sinal da volta do Messias, a volta do Filho de Deus para aqueles que acredita.

Diante disso fica mais uma indagação: O homem é imagem e semelhança de Deus, esse ser Divino, piedoso, misericordioso, bondoso como afirma Moises ou, o homem é um animal que precisa viver em jaula como afirma Trindade?

“É evidente: a maldade, a crueldade, são inventos da razão humana, da sua capacidade para mentir, para destruir” (José Saramago).

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